Flagrante da Pedestre
Espécimes panfleteiros
(crédito: panfletagem GPS)
(por Solange Galante)
Estou de volta, após muito tempo, pois minhas atividades principais quase não têm me dado tempo para escrever sobre minha outra atividade, a de pedestre!
Eu ando muito. Quase todo dia. Quando não estou andando muito estou fazendo outras atividades físicas ou então estou sentada diante de um desktop, escrevendo. Meu desktop ainda não tem rodas nem calça tênis.
Ando rápido, subo e desço morros, ou pego retões como os da Av. Paulista.
Inevitáveis, os entregadores de panfletos estão em todos os lugares. Após décadas de quilometragens percorridas a pé, decidi classificas as espécimes desses panfleteiros. Alguns são educados, e até cumprimentam as pessoas – nem todos, porém. Mas eu os classifiquei principalmente pela maneira de trabalhar. Você, com certeza, irá identificá-los num desses grupos!
Os Perseguidores
Ele ou ela acompanham você, se você desvia deles, vai atrás, geralmente falando do que se refere, incansáveis, até você pegar o panfleto ou folder. Se você não aperta o passo, literalmente fugindo deles, não adianta: terá que esticar o braço e pegar.
Os agitados
Sim, têm semelhança com os Perseguidores, mas perseguem várias pessoas ao mesmo tempo, ou melhor, assemelham-se a um polvo que estica seus tentáculos (jura que possuem apenas duas mãos?) para oferecer seu papelzinho a vários transeuntes simultaneamente e, para isso, deslocam-se dali pra cá e de lá pra cá em frações de segundos. Devem ter uma bateria poderosa alimentando-os.
Os violentos
Calma, ainda não vi nenhum dando soco em quem não aceita pegar seus papéis mas, quando você passa, vão enfiando na sua barriga os panfletos ou folders, bem na altura do estômago mesmo, até assusta... Enquanto forem só papéis mesmo, tudo bem...
As estátuas
Sabem aqueles atores que fingem ser estátuas na calçada? Acho que essa categoria de panfleteiros é de parentes deles... Ele ficam estáticos, de um dos lados da calçada (geralmente o de dentro, longe do meio-fio) só segurando um papel de cada vez, esperando que alguém pegue de sua mão, sem que façam nada para incentivar isso. Quando sentem que alguém pegou, colocam outro no lugar, e a espera continua... Devem ganhar por hora de trabalho paciente.
A dupla do corredor polonês
Um panfleteiro de um lado, outro do outro, ambos frente a frente, virados para o centro da calçada. Se você passa entre eles, dificilmente irá escapar, pois são duas mãos lhe estendendo o papel, enquanto você passa por aquele corredor, estreito, na maioria das vezes. Ouse passar por trás de um deles (fora do "corredor") e rapidamente um deles irá se virar 180 graus ou até lhe estender o panfleto de costas, para que você o alcance.
Os barulhentos
Alguns adoram fazer aquele barulho de quem está descolando um dos folhetos do seguinte enquanto lhe oferecem. E/ou ficam gritando as ofertas ou a natureza do que promovem. Gritam mais alto que o trânsito que passa. deveriam ser estudados como um outra forma de poluição sonora das grandes cidades.
Os Teletubbies, Pokémons ou Mickeys
São os panfleteiros fantasiados de personagens famosos. No verão, desfilam suando dentro de suas fantasias vendendo algodão doce. Quando os turistas voltam da praia, passam a entregar nas grandes metrópoles ou pequenas cidades folhetos de restaurantes, de shoppings da rua Vinte e Cinco de Março (centro de compras popular de São Paulo) ou de sorveterias. Fácil desviar deles, pois muitas vezes nem enxergam direito, com toda aquele pelúcia nos ombros.
Os preguiçosos
Tem aqueles que não querem trabalhar, só ganhar. Amarram os panfletos em postes ou pontos de ônibus, com ou sem a indicação "pegue aqui" para que os possíveis interessados ou curiosos retirem eles mesmos o panfleto. Não se sabe quem são, mas os papéis geralmente indicam planos de saúde populares ou especialistas em "amarrações" para trazer a pessoa amada de volta.
Os nomofóbicos
O vício em celular se chama nomofobia e vem do inglês "no mobile phone phobia", ou fobia de não ter um telefone móvel por perto. Os panfleteiros atacados por essa doença procuram dividir sua atenção entre entregar os folhetos e ler as mensagens do zap zap ou facebook No fundo, todos eles, de todas as espécimes acima, são vítimas dos transeunte também acometidos de nomofobia, que não lhes dão qualquer atenção
Os anormais
Finalmente, classifico como anormais aqueles (na maioria das vezes são mulheres) que não correm atrás de você, não forçam você a pegar os panfletos, cumprimentam os transeuntes com um sorriso, utilizam gestos e palavras educadas para incentivar outras pessoas a pegar os papéis e realmente merecem ganhar uma graninha com esse trabalho que, muitas vezes, nos mostram lugares bacanas e produtos e serviços interessantes que realmente nos motivam a guardar o panfleto e consultar ou visitar o que promovem.
Viu como nem tudo que é anormal é nocivo?
Você tem mais alguma sugestão de espécime panfleteiro para classificarmos? Escreva-me!
E NUNCA é demais lembrar: pedestre educado, mesmo quando não se interessar pelo conteúdo do panfleto, jamais o joga no chão: utilize uma lixeira! Ou use o verso do papel, quando em branco, guardado na bolsa ou bolso, para rascunhos!!! Obrigada!

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